‹ Todos os textos
FaceOutubro de 20267 min de leituraPor Dr. Fábio Almeida

Bioestimulador de colágeno: o que acontece na pele, mês a mês

Ele não preenche: faz a própria pele produzir colágeno. Os estudos mostram quanto, em quanto tempo e por quanto tempo — e por que o resultado é tão natural.

O bioestimulador de colágeno é o procedimento que menos aparece no dia seguinte e mais muda a pele nos meses seguintes. Quem entende como ele funciona chega ao fim do tratamento satisfeito. Quem espera o efeito de um preenchedor, se frustra na primeira semana.

Este texto fala do ácido poli-L-láctico (PLLA), o bioestimulador com mais tempo de uso e mais estudos publicados — com os dados que sustentam o que ele faz, e o que ele não faz.

Ele não preenche: ele faz a pele trabalhar

O preenchedor ocupa espaço: o volume aparece no mesmo dia. O bioestimulador funciona de outro jeito. As micropartículas de PLLA, aplicadas na camada certa, provocam uma resposta controlada do tecido. Células de defesa sinalizam reparo, os fibroblastos são ativados e passam a produzir colágeno novo. Enquanto isso, as partículas são absorvidas lentamente pelo organismo.

Estudos experimentais mostram ainda um segundo efeito: além de estimular a produção, o PLLA ajuda a reduzir a degradação do colágeno que já existe. É por isso que ele melhora firmeza, espessura e sustentação — e não volume pontual.

1. Micropartículas
de PLLA aplicadas na derme
2. Resposta controlada
células de defesa sinalizam reparo
3. Fibroblastos ativos
passam a produzir matriz
4. Colágeno novo
e a partícula é absorvida aos poucos
Figura 1. Como o ácido poli-L-láctico age: ele não preenche o espaço — provoca o próprio tecido a produzir colágeno, enquanto as partículas são absorvidas lentamente pelo organismo.

O que os estudos mediram

Mais colágeno na pele. Em um estudo com biópsias publicado no Dermatologic Surgery, o colágeno tipo I — o principal responsável pela firmeza da pele — aumentou 66,5% três meses após a aplicação.

Colágeno tipo I na derme (antes = 100) 100 166,5 Antes 3 meses depois +66,5%
Figura 2. Aumento do colágeno tipo I medido em biópsia de pele três meses após a aplicação de ácido poli-L-láctico. Dados de Goldberg et al., Dermatologic Surgery, 2013.

Pele mais espessa. Em pacientes com perda de gordura facial, a espessura da derme aumentou em média 73% após 12 meses. É um dado obtido em um grupo específico, mas mostra a capacidade de reconstrução do tecido.

Resultado duradouro. Em um estudo randomizado publicado no Journal of the American Academy of Dermatology, com 233 pacientes tratados no sulco nasogeniano, a melhora se manteve por até 25 meses — bem mais do que o comparador usado no estudo.

Dia 0
Aplicação e início da massagem
4 a 6 semanas
Reavaliação e nova sessão, se indicada
3 meses
Colágeno tipo I
+66,5%
12 meses
Espessura da pele
+73%
Até 25 meses
Melhora mantida em estudo controlado
Figura 3. Como o resultado evolui: ele não é imediato, se constrói ao longo de meses e dura mais do que o de um preenchedor. Dados de Goldberg et al. (2013), Mest e Humble (2006) e Narins et al. (2010). O aumento de espessura foi medido em pacientes com perda de gordura facial; em pele saudável, a magnitude pode ser diferente.

Por que o resultado é tão natural

Como o colágeno é produzido pelo próprio organismo, o resultado acompanha a anatomia de cada pessoa. Não há volume de produto que se veja, nem contorno que denuncie o procedimento. A mudança aparece aos poucos, como uma pele mais firme e descansada — exatamente o tipo de resultado que ninguém consegue apontar.

O bioestimulador também trata áreas que costumam ficar fora do plano: pescoço, colo, mãos, braços e regiões do corpo com flacidez. A indicação depende da avaliação: rosto que perdeu gordura profunda melhora com preenchimento; pele que perdeu firmeza melhora com bioestimulador. Às vezes, o melhor plano combina os dois, em tempos diferentes.

Segurança: técnica faz diferença

O efeito adverso mais conhecido do PLLA é a formação de pequenos nódulos, quase sempre ligada a diluição ou técnica inadequadas. Em levantamentos de grande escala, a ocorrência é rara — da ordem de um caso a cada dezenas de milhares de aplicações. Diluição correta, camada certa de aplicação e a massagem nos dias seguintes são o que mantém esse risco baixo.

O pós-procedimento que faz parte do resultado

Nos primeiros dias, inchaço discreto e pequenos hematomas são esperados e passam sozinhos. Compressas frias ajudam. Até a vermelhidão e o inchaço desaparecerem, é melhor evitar sol. Maquiagem e cosméticos podem voltar algumas horas depois, conforme orientação.

E há uma etapa que depende do paciente: a massagem.

5
minutos
de massagem
5
vezes
ao dia
5
dias
após a aplicação
Figura 4. A regra 5-5-5 do pós-procedimento: a massagem distribui o produto de forma homogênea e ajuda a garantir um resultado natural.

Entre quatro e seis semanas depois, a pele é reavaliada para decidir se uma nova sessão é necessária. Na maioria dos planos, são de uma a três sessões, com intervalo entre elas — o tempo que o colágeno precisa para se formar.

O que esperar, com honestidade

Bioestimulador não projeta queixo, não define contorno labial e não apaga ruga profunda em uma sessão. Ele melhora a qualidade da pele, a firmeza e a sustentação — e faz isso devagar. Quem entende esse cronograma no primeiro dia é quem mais aproveita o resultado.

A indicação, a quantidade de produto e o número de sessões dependem da avaliação individual. É ela que define se o bioestimulador é a melhor escolha, sozinho ou combinado a outros tratamentos.

Referências. Goldberg D, Guana A, Volk A, Daro-Kaftan E. Single-arm study for the characterization of human tissue response to injectable poly-L-lactic acid. Dermatol Surg. 2013;39(6):915-922. · Mest DR, Humble G. Safety and efficacy of poly-L-lactic acid injections in persons with HIV-associated lipoatrophy: the US experience. Dermatol Surg. 2006;32(11):1336-1345. · Narins RS, Baumann L, Brandt FS, et al. A randomized study of the efficacy and safety of injectable poly-L-lactic acid versus human-based collagen implant in the treatment of nasolabial fold wrinkles. J Am Acad Dermatol. 2010;62(3):448-462. · Oh S, Lee JH, Kim HM, et al. Poly-L-lactic acid fillers improved dermal collagen synthesis by modulating M2 macrophage polarization in aged animal skin. Cells. 2023. · Rayess HM, et al. A cross-sectional analysis of adverse events and litigation for injectable fillers. JAMA Facial Plast Surg. 2018.

Tem uma dúvida sobre esse tema? A avaliação individual é o que define o que se aplica ao seu caso.

Falar no WhatsApp Fazer análise facial →